O cão vira-latas

Quando em noites nostálgicas de lua, vagabundeio à sós de madrugada, vejo sempre um cachorro pela rua revirando uma lata a tanto custo achada. Sem compaixão da grande mágoa, nunca falta alguém que lhe atire uma pedrada.
Mas, estóico, o seu caminho continua abandonando a lata na calçada.
Ao ver-te, vira-latas, no abandono, a roer ossos, sem ninguém, sem dono, tenho pena de ti, cão vagabundo, pois vivo como tu desde menino, recebendo as pedradas do destino e revirando a grande lata deste mundo...

Autor desconhecido